segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Economia centrada na vida




Frei Betto
Escritor, é autor de Calendário do poder (Rocco), entre outros livros


O tema da Campanha da Fraternidade 2010, promovida pela CNBB e o Conic (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil), é Economia e Vida. Lançada na quarta-feira de cinzas, a campanha tem como lema o versículo do evangelho de Mateus: “Não se pode servir a Deus e ao dinheiro” (6, 24).

Em plena crise do sistema capitalista, que ameaça as finanças de vários países, o tema escolhido por bispos e pastores cristãos é de suma atualidade no ano em que os eleitores brasileiros deverão escolher os novos governantes. A economia, palavra que deriva do grego oikos+nomos, “administração da casa”, não deveria ser encarada pela ótica da maximização do lucro, mas pelo bem-estar da coletividade.

A Campanha da Fraternidade objetiva sensibilizar a sociedade sobre o valor sagrado de cada pessoa que a constitui; criticar o consumismo e superar o individualismo; enfatizar a relação entre fé e vida mediante a prática da justiça; ampliar a democracia firmada em metas de sustentabilidade.

Isso significa “denunciar a perversidade de todo modelo econômico que vise, em primeiro lugar, ao lucro, sem se importar com a desigualdade, a miséria, a fome e a morte; educar para a prática de uma economia de solidariedade; conclamar igrejas, religiões e sociedade para ações sociais e políticas que levem à implantação de um modelo econômico de solidariedade e justiça”.

O documento reconhece que “um bom número de brasileiros, na última década, saiu do estado convencionalmente definido de pobreza, mas o Brasil confirma hoje a realidade de enorme desigualdade na distribuição de renda e elevados níveis de pobreza. Segundo o Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, em 2007 existiam no Brasil 10,7 milhões de indigentes (ou seja, famintos), e 46,3 milhões de pobres (ou seja, sem acesso às necessidades básicas: alimentação, habitação, vestuário, higiene, saúde, educação, transporte, lazer, entre outras), considerando valor dos bens em cada local pesquisado”.

A parcela da população brasileira que vive em estado classificado, tecnicamente, como de extrema pobreza, continuará a ser indigente, pois não consegue, de modo geral, quebrar esse círculo vicioso a não ser que a sociedade se organize de outro modo, colocando acima dos interesses de mercado o ser humano.

Na raiz da desigualdade social está a concentração de terras rurais em mãos de poucas famílias ou empresas. Cerca de 3% do total das propriedades rurais do Brasil são latifúndios, ou seja, têm mais de 1.000ha e ocupam 57% das terras agriculturáveis — de acordo com o Atlas fundiário do Incra. É como se a área ocupada pelos estados de São Paulo e Paraná, juntos, estivesse em mãos dos 300 maiores proprietários rurais, enquanto 4,8 milhões de famílias sem-terra estão à espera de chão para plantar.

A lógica econômica que predomina na política do governo insiste em elevar os juros para favorecer o mercado financeiro e prejudicar os consumidores. Basta dizer que o governo federal gastou em 2008 com a dívida pública 30,57% do Orçamento da União para irrigar a especulação financeira. E apenas 11,73% com saúde (4,81%), educação (2,57%), assistência social (3,08%), habitação (0,02%), segurança pública (0,59%), organização agrária (0,27%), saneamento (0,05%), urbanismo (0,12%), cultura (0,06%) e gestão ambiental (0,16%).

E, no Brasil, quem mais paga impostos são os pobres, pois os 10% mais pobres da população destinam 32,8% de sua escassa renda ao pagamento de tributos, enquanto os 10% mais ricos apenas 22,7% da renda. A Campanha da Fraternidade convida os fiéis a refletirem sobre a contradição de um sistema econômico prensado entre cidadãos interessados em satisfazer suas necessidades e desejos, e empreendedores e agentes financeiros em busca da maximização do lucro. Uma importante parcela da moderna economia capitalista é meramente virtual, decorre de vultosas movimentações de capital, não gera bens e produtos em benefício da sociedade, serve apenas para o enriquecimento de uns poucos com o fruto da especulação financeira.

O ciclo da moderna economia política fecha-se num mundo autossuficiente, indiferente a qualquer consideração ética sobre a vida humana e a preservação da natureza. A evolução da história e a miséria em que vive grande parte da humanidade põem em questão o rigor e a seriedade dessa ciência e a bondade das políticas econômicas voltadas mais ao crescimento e à acumulação da riqueza do que ao verdadeiro desenvolvimento sustentável.

A CNBB e o Conic propõem a realização de um plebiscito no próximo 7 de setembro — data da Independência do Brasil e Dia do Grito dos Excluídos — em prol do limite de propriedade da terra e em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar. É preciso que haja leis limitando o tamanho das propriedades rurais no Brasil, de modo a evitar latifúndios improdutivos, êxodo rural, trabalho escravo e exploração da mão de obra migrante, como ocorre em canaviais.

O Evangelho, ao contrapor serviço a Deus e ao dinheiro, apela à nossa consciência: as riquezas resultantes da natureza e do trabalho humano se destinam ao bem-estar de toda a humanidade ou à apropriação privada de uns poucos que, nos novos templos chamados bancos, adoram a Mamon, o ídolo que traz felicidade à minoria que se nutre do sofrimento, da miséria e da morte da maioria?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Uma história épica: Irmãs negras



Por Leonardo Boff [Quinta-Feira, 19 de Novembro de 2009 às 11:35hs]
A Casa Grande e a Senzala não foram apenas construções sociais e físicas, dividindo por um lado os brancos, donos do poder e por outro, os negros, feitos escravos. Com a abolição da escravatura exteriormente desapareceram. Mas continuam presentes na mentalidade dos brancos e das elites brasileiras. As hierarquizações, as desigualdades sociais e os preconceitos têm nesta estrutura dualista sua origem e permanente realimentação.

A vida religiosa que se insere neste caldo cultural reproduziu em suas relações internas o mesmo dualismo e as mesmas discriminações. Durante todo o tempo da Colônia os que possuíam "sangue sujo", quer dizer, os que eram negros, indígenas ou mestiços, não podiam ser padres nem religiosos. Além de puro racismo, típico da época, argumentava- se que eles jamais conseguiriam viver a castidade. Esta discriminação foi internalizada nestas populações desumanizadas a ponto de sequer pensarem em ser padres, religiosos ou religiosas.

As consequências perduram até os dias de hoje: a crônica falta de clero autóctone no Brasil. Pelo número de católicos, deveríamos ter pelo menos cem mil padres. Possuímos apenas 17 mil e muitos são ainda são estrangeiros.

Mesmo com a revitalização da Igreja brasileira através do processo de romanização inaugurada no final do século XIX com a vinda de congregações religiosas européias, as pessoas negras ou mestiças continuaram sistematicamente excluídas. Mas houve uma ruptura inauguradora. Em 1928 a Congregação das Missionárias de Jesus Crucificado, fundação genuinamente brasileira, de uma leiga piedosa Maria Villac, apoiada pelo bispo Dom Campos Barreto de Campinas, foi a primeira a abrir a porta de seus conventos a mulheres negras.

Mesmo assim, não escapou da influência da Casa Grande e da Senzala mental: houve a divisão clara entre as oblatas, irmãs negras ou de pouca instrução e as coristas, brancas e com instrução. Até o hábito era diferente, azul e branco para as coristas e preto para a oblatas. A missão destas que constituíam quase a metade da Congregação, era de servir às coristas, acompanhar seus trabalhos e assumir todas as tarefas domésticas de um convento, desde cozinhar, lavar a roupa até manter a horta e cuidar da criação de animais.

Por quarenta anos foi assim, até que se abriu a janela do aggiornamento do Concílio Vaticano II (1962-1965). Aboliram-se as divisões de tarefas, umas nos trabalhos manuais e outras na vida apostólica. Como comentou Dom Odilon, bispo de Santos: "acabou-se a escravidão na Congregação".

Esta história foi recentemente pesquisada e escrita pelas próprias religiosas negras sob a orientação segura do historiador Pe. José Oscar Beozzo com o título: "Tecendo memórias, gestando o futuro: história das Irmãs Negras e Indígenas das Missionárias de Jesus Crucificado" (Paulinas 2009).

Qual é a originalidade deste livro? É mostrar o lento despertar da consciência das irmãs negras, de sua identidade étnica, de seus valores específicos e de sua espiritualidade singular, feito de histórias de vida narradas por irmãs negras, histórias de chorar, tal o nível de discriminação e de humilhação.

Mas o que transparece não é amargura ou espírito de revanche. Ao contrário, é o de resgate da memória de tudo o que se aprendeu nessa penosa caminhada e do lançamento das bases para um futuro mais igualitário e respeitador das diferenças. Elas mostram que a identidade negra não precisa ser trágica, mas foi e pode ser épica: feita de uma sábia resistência e de um desabrochar lento mas seguro de seu próprio caminho de libertação. As religiosas negras emergem como verdadeiras heroínas e muitas delas com sinais inequívocos de santidade. Assim se supera uma visão miserabilista dos negros e negras e se realça sua inventividade, sua capacidade de ter alegria interior que se revela no riso e na festa, na música e na dança.

Esse livro vem preencher uma lacuna na historiografia negra na ótica da vida religiosa. Ele suscita admiração mais que compaixão, vontade de conquista mais do que resignação. Sua leitura nos edifica e nos faz humanamente mais solidários.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Formação Módulo 3


Está chegando o Módulo 3, da nossa formação.

Tema: "Como despertar a participação social no grupo de jovens?"
Quando: Dia 8 de Novembro (este Domingo)
Onde: NSra de todas Graças - JD Belval - Barueri (Próximo a Estação de trêm JD Belval)
Público: Coordenadores de grupos, lideres de paróquia e interessados (ou seja todos)
Rango: Lanche comunitário / Almoço Grátis
Horário: 09:00 as 16:00

Obs: Levar caneca (Não usaremos copos descartáveis)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Formação Módulo 2




Está chegando o Módulo 2, de nossa formação.

Tema: "Como Dinamizar um grupo de jovens?"
Quando: Dia 18 de Outubro (09:00 as 16:00)
Onde: Paróquia Nossa Senhora Medianeira - Cardoso - Itapevi (Próximo a Estação de trêm Cardoso)
Público: Coordenadores de grupos, lideres de paróquia e interessados (rsss todos)
Rango: Lanche comunitário / Almoço Grátis

Obs: Levar caneca (Não usaremos copos descartáveis)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Pós - Formação Modulo 1


Domingo aconteceu o primeiro módulo da nossa formação segundo semestre, onde foi trabalhado o tema: “Como cuidar da pessoa no grupo de Jovens.”, assessorado pelo Julio César (Assessor Leigo da PJ - Diocesana), o mesmo utilizou diversos materiais como:

Livro: Um tal Jesus (Fascículo 1)
Livro: Como cuidar da pessoa no grupo de jovens? (Coleção na trilha - CCJ)
Livro: O Pequeno Príncipe
Musicas da Marisa Monte (Em destaque - Vilarejo)
Gráfico do processo de educação na Fé (Livro: Passos na Travessia da Fé – Carmem Lúcia Teixeira)
Vídeo: Juventude Esperança (1991)

Foi um dia especial em um ambiente descontraído, onde novos camaradas, somaram como o pessoal da Paróquia Nossa Senhora das Graças, que já fazia um tempo que não tinha lideranças jovens, a Nossa Senhora da Escada também teve presença significativa, Além da São Francisco de Assis, Nossa Senhora Medianeira de todas as Graças, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora Aparecida (Jandira) e Rainha Santa Isabel (Acho que não esqueci ninguém?!!) , Agradecimento a Equipe da Formação (Érika, Cléia, Julio, Priscila e Eu rss), Equipe de Cozinha (Dona Carmelita, Eronides e Cleia)
Ao Pe. Luiz e Cooperativa de Artesanato da São Francisco. E a todos que compareceram.

Obs: Foto Vanessa (RSI).
Ausentes - Zé (Escada), Dona Carmelita, Eronides e Diana que estava tirando a Foto.

O Módulo 2, será realizado na Medianeira (Estação de trem Cardoso) já alinhado com Pe. Roberto (Pároco), dia 18/10/2009, das 09:00 as 16:00, esperamos todos novamente.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Pós - 15º Grito dos Excluídos

Por Ricardo

Nesta ultima Segunda-feira (07/09) ocorreu o Grito dos excluídos, estive presente Juntamente com o Fernando (Meu Irmão), Rui, Henrique (Região Santo Antonio), Priscila (Minha Noiva) e Ir. Cristina (Vitápolis). Na cidade de São Paulo teve inicio as 08:00 com Missa na Catedral da Sé, logo após começou a concentração em frente a mesma, de onde partimos em caminhada com destino o Memorial do Ipiranga, no caminho se alternava ao microfone de um carro de som, Representantes dos diversos movimentos e instituições sociais. Na fala do representante da Pastoral juventude o mesmo, destacou nossa luta contra diminuição da Maior Idade Penal e explanou sobre o extermínio da juventude, citando o assassinato do Pe. Gilsey. O ato se encerrou no Ipiranga com muita denúncia e Música, destaque para Grupo Batucada do MST.


Por Glaison

O 15 grito dos excluídos ocorreu dia 7 de setembro de 2009 em aparecida teve varias participações das Pastorais Sociais (Pastoral da Juventude e Pastoral Operária) do MST, outros participantes da CEBs.
Nesse Grito teve como foco gritos como o fora Sarney e contra a Crise, foram relembrados os outros gritos dos anos anteriores, Teve inicio a caminhada no porto de Itaguaçu ate as 8:30, quando deu inicio o ato e terminou com a missa as 10:30.